Mostrando postagens com marcador focos de incêndio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador focos de incêndio. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Focos de queimadas dobraram em relação a 2009

Jornal Correio


O número de focos de incêndios acumulado entre os dias 1° de janeiro e 16 de agosto aumentou 100% em relação ao mesmo período de 2009. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) até ontem (16) registrava 30.825 focos de incêndios em todo o Brasil, o dobro de 2009, quando foram registrados 15.228 focos.
De acordo com o coordenador do Monitoramento de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, 2010 está sendo um ano muito mais seco do que 2009, com temperaturas mais altas, umidade relativa do ar mais baixa e sem chuvas, o que facilita o uso e a propagação do fogo.
“Em 2009, essa região do Brasil Central chegou a ter 10 milímetros de chuva em agosto. Este ano, até agora, não caiu uma gota d`água. Em partes de Minas e Goiás e no Tocantins não chove há mais de três meses”, comparou.
Além da questão climática, Setzer disse que o aumento expressivo dos focos de queimadas de um ano para o outro também se deve á dinâmica do setor agropecuário e ao período eleitoral. Na avaliação do pesquisador, o momento econômico favorável à expansão dos rebanhos e das áreas agrícolas leva ao aumento do uso de fogo pelos produtores rurais, para abrir pastagem e limpar a terra para o cultivo. Com a estiagem e a vegetação seca, o risco de perder o controle da queimada é quase inevitável.
Já o período eleitoral influencia na fiscalização. “Por ser ano eleitoral, a fiscalização não está tão intensa quanto poderia estar”, ponderou Setzer. A indefinição sobre o futuro da legislação ambiental brasileira – com a possibilidade de mudanças no Código Florestal – também pode estar estimulando, segundo ele, crimes ambientais, inclusive as queimadas.
“Nenhuma dessas queimadas é natural. Sempre começam porque alguém fez o que não devia, agindo contra as leis florestais. Não são incêndios naturais, o clima seco ajuda a expandir, mas alguém começou o fogo”, explicou o pesquisador.
As chamadas queimadas naturais, segundo Setzer, só acontecem no período de chuvas, porque são provocadas por raios. E não têm o mesmo efeito devastador que os incêndios provocados. “Esse fogo natural ocorre a cada cinco ou dez anos. As queimadas propositais às vezes são feitas mais de uma vez por ano. Não há ecossistema ou vegetação que suporte”.
O aumento expressivo do número de focos de queimadas em 2010 ainda não deverá ter reflexos na taxa anual de desmatamento, calculada pelo Inpe e com previsão de divulgação até novembro. Isso porque a taxa considera apenas o chamado corte raso, desmate total de uma área, o que o fogo não faz sozinho.
“O fogo danifica muito a floresta, há uma degradação intensa, o que facilita o processo de desmate”, explica Setzer. “Todas as áreas afetadas pelo fogo em pouco tempo deixam de ser floresta e viram outra coisa”, acrescenta.
Pelo menos para os próximos dias, a previsão é que as condições climáticas continuem favoráveis às queimadas, com a combinação de estiagem, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. Nesta terça-feira (17), em todo o Brasil, o Inpe registrou 13,5 mil focos de incêndios.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Focos de calor crescem 318% neste ano

Jornal Correio


A quantidade de focos de incêndio neste ano cresceu 330% em todo o território nacional e em Uberlândia não foi diferente. Segundo o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios (Prev-Incêndio) do Instituto Estadual de Florestas (IEF), de 1º de janeiro até ontem, o número de focos de calor na cidade aumentou em 318% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 11 para 46.
A explicação, segundo o IEF, se deve a um inverno com temperaturas até 5 graus acima da média histórica, enquanto em 2009, este período foi de chuvas intensas.
Na semana passada, o Corpo de Bombeiros de Uberlândia chegou a registrar 24 focos de incêndio em um único dia. Nos dois piores casos, às margens da BR-365, foram queimados 8,5 mil metros de área. No domingo (8), uma reserva particular de 5 mil metros, com 10 mil mudas de espécies raras e em extinção foi destruída.
Segundo o gerente regional do IEF, Carlos Luiz Mamede, a expectativa é que o fogo continue a causar problemas até o fim deste mês. “A previsão é que chova em setembro. Até lá, é preciso evitar ao máximo colocar fogo em alguma área. Está ventando, está muito quente e qualquer brasa pode causar um incêndio de grandes proporções”, disse.
Em Minas Gerais, nos 11 primeiros dias de agosto foram catalogados pelo IEF 930 focos de incêndio, diante de 484 em igual período de 2009. Desde o início do ano, foram 3.334 registros de queimada no Estado contra 1.332 no ano passado, o que torna 2010 o pior dos últimos três anos. Segundo o IEF, até ontem, os incêndios no Estado já consumiram 1.063 hectares de áreas verdes, o equivalente a 1.063 campos de futebol.
Situação é crítica em 320 cidades
O Brasil tem 320 municípios em situação crítica com o risco de queimadas e cinco estados concentravam 75% dos focos de incêndio ontem, segundo registro dos satélites monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ontem, eram 14.604 focos ativos, localizados no Pará (3.892), Mato Grosso (3.276), Tocantins (1.644), Maranhão (1.204) e São Paulo (898).
Ontem, o Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública na Justiça Federal para impedir que órgãos do governo do Estado de São Paulo emitam autorização para as chamadas "queimadas controladas" em fazendas de plantação de cana-de-açúcar. O MPF argumenta que a atribuição deve ser do Ibama e que não é possível autorizar queimadas sem que seja feito previamente um estudo de impacto ambiental. As autorizações são dadas pela Secretaria do Meio Ambiente e pela Cetesb.